AVISO
DE PERIGO: essa
crítica é detalhada e contém SPOILERS de muitas horas de conteúdo, portanto se ainda não conferiu o seriado, leia por
risco próprio.
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O plano era esperar o lançamento da
segunda temporada para começar as críticas, mas como esse mês estou assistindo a série pela
quarta vez, já vou começando a tomar as longas notas que o Portal Tartárico
divulgará. Posso afirmar: fazia muito tempo que não me prendia em um seriado
(acompanhando desde a season one), e a saudosa Stranger Things fez isso sem o
menor esforço. É satisfatório ver o quanto a cultura oitentista presente na
ambientação da trama é bem feita, trazendo a sensação de nostalgia até mesmo
pra quem não viveu (ou não se interessa) pela época. Com uma mistura forte de
terror, suspense e ficção cientifica, os oito episódios que fecham a primeira
temporada são, em poucas palavras, um ótimo começo. A junção de uma trama
interessante e atuações bem lapidadas conseguem prender quem assiste e logo se
identificar com vários pontos apresentados, desde a inocência das crianças, até
o ceticismo dos adultos.
Distribuída pela Netflix na forma de
websérie, Stranger Things é produzida e idealizada pelos irmãos Matt e Ross
Duffer (Hidden, 2015), e teve sua primeira temporada lançada em 2016 (de uma
vez só). Na realidade, é uma temporada muito curta (oito episódios, como já
mencionado), e serve mesmo para nos introduzir no universo criado, podendo ser
assistido tudo no mesmo dia, com uma longa maratona de aproximadamente 8 horas.
Já vimos muitas temporadas curtas (como a primeira de The Walking Dead, com
apenas seis episódios), mas aqui a série é distribuída tão bem, que cada
capítulo marca alguma emoção forte; acredite, em apenas uma primeira temporada,
isso é satisfatório. A série se tornou a vigésima mais bem avaliada de todos os
tempos pelo IMDB, isso em apenas três dias de exibição.
Outro ponto positivo é a presença de
crianças no elenco. Sem contar que mantemos uma carga dramática tranquila,
temos a oportunidade de acompanhar o crescimento deles durante o decorrer da
série (a segunda temporada já está confirmada para 2017); algo parecido com o
que aconteceu na saga Harry Potter, indo de 2001 até 2011. É o típico padrão de
crianças corajosas, que realmente partem para alguma aventura por um bem maior,
independente dos perigos que iram ficar expostos. Espero vê-los desenvolvidos e experientes nas próximas temporadas, inclusive armados, vai ser interessante.
Portanto, vamos começar pelo enredo dramático:
Malditos jovens estereotipados, estão em todos os lugares.
A história começa em 1983, com o
desaparecimento do menino Will Byers (Noah Schnapp, já trabalhando com Steven
Spielberg em Ponte dos Espiões), que some enquanto voltava para casa de
bicicleta. Preocupados com o acontecido, seus amigos Mike (Finn Wolfhard),
Lucas (Caleb McLaughlin) e Dustin (Gaten Matarazzo) partem para procurá-lo na
pacata cidade de Hawkins, Indiana, e acabam encontrando uma estranha garotinha
de cabelo raspado e poderes telecinéticos, identificada apenas como Eleven
(Millie Bobby Brown). Quando a notícia se espalha, envolvendo a dramática mãe
de Will, Joyce Byers (Winona Ryder, voltando com tudo), e o xerife amargurado
Hopper (David Harbour), as “coisas estranhas” que dão titulo na série começam
se desenrolar com um suspense único. E não da para negar a forte influência de
Steven Spielberg, John Carpenter e Stephen King (que inclusive, elogiou a
projeção); existem certos momentos da trama, que realmente parecemos estar
assistindo ET – O Extraterrestre (1982) ou Carrie – A Estranha (1976), junto da
tranquilidade de Os Goonies (1985) e a tensão de Alien – O Oitavo Passageiro
(1979).
Will Byers, o azarado de Hawkins.
Na realidade, Will foi parar em uma
dimensão paralela, chamada de “Upside Down”, ou então Mundo Invertido pra quem
assiste dublado (recomendo o legendado, esse não fica devendo). Um estranho
local que é extremamente igual a cidade de Hawkins, mas escuro, frio e
abandonado; sem contar que a realidade é habitada por criaturas sanguinárias,
que vem até nosso mundo para buscar suas vitimas e levá-las até sua dimensão.
As crianças chamam a criatura de Demogorgon (inspirado no RPG Dungeons &
Dragons, jogo que os meninos esquematizam toda hora com suas enormes
campanhas); nessa temporada, vemos apenas um Demogorgon, que leva Will até o
Mundo Invertido e posteriormente a nerd retraída Barb (Shannon Purser).
Parecido com os dois primeiros filmes da franquia Alien: no primeiro temos
apenas uma criatura (e já faz um baita estrago), para pensarmos “se somente um
faz isso, imagina um monte junto”, mesmo conceito aqui, porque se um Demogorgon
já fode tudo, quem diria alguns pares nas próximas temporadas.
Logo que Will some, sua mãe Joyce
Byers (olha o sobrenome em homenagem ao velho Michael Myers de Halloween), procura a ajuda
do xerife local Hopper, já o tendo como um velho amigo. Hopper é um dos
personagens mais cativantes de se acompanhar, passando de um rapaz amargurado e
relaxado na vida, para um excelente exemplo de garra e determinação; sua história é
extremamente triste, sendo contada somente no último episódio, nos momentos
mais intensos. Hopper não teve a oportunidade de salvar sua filha paciente
terminal de câncer, mas fez de tudo para conquistar os mistérios e resolver o
caso de Will Byers. Ele começa odiando crianças, mas desenvolve um crescimento
moral muito forte por elas.
It is not safe...
Não dá para negar: Stranger Things é
igual Star Wars, dá para sentir a energia de longe, com uma incrível atmosfera única.
Enquanto o xerife Hopper começa a organizar buscas pela região, Joyce começa a
receber ligações vindas do além, onde consegue ouvir a voz do filho; muito
parecido com Poltergeist – O Fenômeno (1982), quando a garotinha Carol Anne
entra em contato com a família pela estática da televisão, a única diferença é
que aqui o contato é estabelecido por luzes e telefones.
Acontece que ninguém acredita que
Joyce entrou em contato com Will, nem mesmo seu filho mais velho, Jonathan Byers
(Charlie Heaton, futuro galã), um rapaz calmo e reservado, que sempre anda por
ai com sua câmera fotográfica. A mulher começa a sofrer com a ausência de
sanidade, realmente se tornando obcecada pelo esperançoso contato com o filho.
Detalhe: cada vez que rola o contato, o telefone estoura em chamas, fazendo
Joyce literalmente comprar vários, até ficar devendo na própria loja que
trabalha. Winona Ryder é perfeita no papel, e traz uma carga dramática absurda como a desesperada Joyce; sempre desconfiada, esperançosa e lutando por só um motivo.
Winona faz um retorno surpreendente às telas, depois de anos sem
produções, basicamente “amaciando” seu talento para muito mais; como todos
sabem, a atriz já teve distúrbios de cleptomania e assaltou algumas lojas em
Beverly Hills no distante ano de 2001, o que deslanchou na sua lenta “queda” em
Hollywood. Muito bom ver que a atriz está em ótima fase e desenvolveu grande
amizade com Millie Brown.
Will?
Os garotos amigos de Will são no
melhor estilo Os Goonies (1985) e Stand by Me (1986). Mike é concentrado, leal
e às vezes fala demais, sem mencionar que seus pais são os típicos americanos
dos anos 80: uma mãe totalmente preocupada e “altruísta” com os filhos, e um
pai avoado e desligado das situações cotidianas, se preocupando em ler o jornal
ou então comer o pedaço maior de frango (Mike também se parece com um antigo amigo
meu de escola). Já Dustin é o cabeça da turma, sempre autoritário e
considerando os efeitos que a física pode ter na nossa realidade. Bem dramático
e agitado (como quando Eleven começa a trocar de roupa na frente deles), ele
que consegue estabelecer um laço que os une, sempre corrigindo as brigas que
Mike e Lucas provocam; o ator de Dustin, Gaten Matarazzo, sofre de uma rara
doença chamada Displasia Cleidocraniana, que o impede de ter os dentes da
frente, por isso o garoto fala puxado e tem um sorriso despreocupado e pacato. Já
Lucas é o briguento consciente do grupo, mantendo sua personalidade forte em
todos os momentos; inclusive, ele detesta a Eleven no começo e sempre briga com
ela, mas no final volta atrás e os dois viram amigos.
Última noite tranquila e normal.
Millie Brown é outro ponto positivo
como Eleven, sua inocência é contagiante e muito bem explorada; por isso, nos
momentos que a vemos berrando e quebrando pescoços com seus poderes, sabemos
que aquela garotinha é doce até chegar ao seu limite, depois disso, somente
sangue e dor. Mesmo tendo aprendido os valores da amizade com os meninos, ela é
quem os lembra desses princípios nos momentos de tensão, como quando recorda
que “os amigos não mentem” para Mike, uma coisa que ele mesmo havia ensinado e,
por vezes, esquecido. Falando somente poucas frases, devido sua timidez e falta
de afinidade com o “mundo exterior”, ela consegue transparecer um realismo
muito forte, sempre roubando a atenção quando esta em cena. Ela é como se fosse
o ET do clássico filme da Sessão da Tarde, porque são vários momentos que reconhecemos
as referências, como quando Mike a leva na garupa da bicicleta, ou então quando
a vestem com uma peruca loura para poder levá-la na escola, ou até mesmo no
desenvolvimento de sua “vida social” (quanto mais o tempo passa, mais a vemos
conversando abertamente com os amigos); só que a garota é muito mais fofinha e
badass que a criatura cativante criada por Spielberg nos anos 80.
<3
Todo personagem tem sua evolução,
fechando vários ciclos pessoais com direito a continuações intrigantes. O
desaparecimento de Will é um evento que muda totalmente a rotina e vida dos
envolvidos (isso no período de uma semana, até o garoto ser encontrado). Esse
evento faz o publico ter vários olhares diferentes em cima de uma só situação;
as crianças transmitem total esperança que iram encontrar o amigo desaparecido.
A simples esperança e inocência. Isso tem um tremendo poder na situação, porque
conseguimos sentir a motivação verdadeira, diferente do ceticismo dos adultos,
que deixam a esperança de lado ao saberem como esse mundo é perverso para os
menores. Os adultos consideram que Will possa estar vivo (principalmente sua
mãe), no entanto, eles não possuem a mesma esperança conquistadora das
crianças. O valor de uma amizade ultrapassa todos os limites em cada evolução
silenciosa. Nos anos 80, valia o contato pessoal com os próximos, não virtual;
sentimos isso bem. Vemos Will muito pouco nessa temporada, mas torcemos cada
minuto para encontrá-lo são e salvo.
É claro, temos MUITOS clichês dos
anos 80: como o gostosão do colégio, a criança com poderes sobrenaturais, o
policial amargurado, as roupas no melhor estilo De Volta Para o Futuro (1985),
o monstro de outra dimensão, a mãe divorciada... Mas isso não prejudica a série
no geral, porque ela de fato é ambientada nos anos 80, então embarcar no famoso
clima já conhecido (e que funciona) não é um problema. Existem muitas produções
recentes ambientadas na década retratada, mas Stranger Things não abusa,
mantendo a estética HD que as novas câmeras estão ostentando com tranquilidade.
Isso da um contraste único na produção, e a cidadezinha de Hawkins transmite um
mistério perturbador e silencioso (lembrando muito quando Rick Grimes acorda do
coma na primeira temporada de The Walking Dead, e encontra a cidade com uma ausência
de vida assustadora).
Cena fodástica.
Muitas intrigas e reviravoltas
acontecem em todos os episódios, e não vou entrar em todos detalhes da
temporada, porque a crítica iria ficar gigantesca demais (e para não estragar todas as surpresas de quem não assistiu). Temos o triangulo amoroso composto
por Jonathan Byers, Steve Harrington (Joe Keery) e Nancy Wheeler (Natalia
Dyer), a irmã atrevida de Mike. Nancy é a típica garota “santinha” que já está
cansada de tanta benção; no período de uma semana (em que a série se passa) a
jovem muda seus princípios, perde a virgindade na clássica festa na piscina
organizada pelo namorado, e até mesmo aprende a manusear armamento para caçar o
Demogorgon (a menina representa, sério). Já seu namorado, Steve, é o cara insuportável
e chato que ninguém gosta (sem contar que é o estereotipado gostosão rico do
colégio), no entanto, somos surpreendidos com sua mudança até o último
episódio, e começamos a gostar dele no final da temporada, após o mesmo sair na
paulada com o monstro que nem tinha ideia existir; Steve se mostra corajoso e protetor,
apesar de arrogante e com péssimas amizades.
O triangulo amoroso da vez.
Temos também os mirabolantes mistérios
desenvolvidos no laboratório do governo de Hawkins, onde cientistas fazem
experimentos com crianças que possuem poderes paranormais (foi desse
laboratório que Eleven fugiu). Acontece que com os poderes da menina, eles
conseguiam acessar o tal Mundo Invertido, mesmo sabendo que isso a prejudica
muito. Conhecemos o FILHO DA PUTA identificado como Dr. Martin Brenner (Matthew Modine), um velho
cafajeste que ilude nossa Eleven dizendo ser seu pai, e a convencendo fazer
todos os testes sem hesitar. Ele judia muito da garota, a fazendo torturar
gatos, amassar latas, ficar submersa com capacete em um tanque de água para “acessar”
o Mundo Invertido. Foi em um desses testes, que o Dr. pediu para ela enfrentar
o monstro que existe naquela dimensão, e fazendo isso, acabou despertando a
criatura, trazendo ela para nossa realidade (e deslanchando em uma Hawkins
paralela e o desaparecimento de Will Byers). Também deixam dicas da possível mãe de Eleven, uma mulher que foi usada em testes de LSD no passado até destruir sua mente... Só que ninguém esperava que ela estava grávida de uma menina.
Por falar no monstro Demogorgon, se
parece muito com algumas criaturas vistas nos jogos da franquia Resident Evil:
não possuiu face, mas abre uma boca gigantesca, que preenche toda sua cabeça. É
claro, deve haver MUITAS criaturas para serem exploradas nas próximas
temporadas, pois o Universo Invertido é bem grande e complexo, somente sendo
apresentado nessa primeira etapa (inclusive, conseguimos ver alguns ovos em uma
cena). Parece que a cada dia que passa, a “fenda” que liga as duas realidades
vai ficando cada vez maior, dando indícios que o Mundo Invertido pode ser
Hawkins no futuro.
Um Demogorgon na nossa realidade.
Caralho, o que falar da trilha sonora?
Podendo ser dividida em dois temas diferentes, temos o melhor dos flashbacks e
rock oitentista, que é apreciado em cada episódio (temos canções recentes
também). Felizmente, ainda estamos na primeira temporada, isso significa que
tem muito mais para ser visto e ouvido (clique aqui para ouvir um set com todas as músicas). Recomendo muito para os leitores mais atentos, sério. Fora que os
temas compostos para a série são excelentes, dando todo um clima tenso e
misterioso, com os sintetizadores bem orquestrados no embalo da
ficção e horror; destaque para o tema de abertura e a sensacional “She’ll Kill
You” (ouça aqui), que toca quando Eleven salva Mike de se jogar do penhasco.
Talvez os separem, mas nunca serão capazes de destruí-los. Não tem como ser
melhor.
Determinada & Retardada.
Já vou finalizando a crítica por
aqui, porque apesar dos spoilers, ainda existe muita coisa que precisa ser
mantida em sigilo para não estragar as surpresas. Os últimos três episódios são
frenéticos e não param um minuto, fechando o circulo que foi o desaparecimento
de Will Byers; as cenas finais são sensacionais, e assumo que sempre fico envolvido emocionalmente quando vejo. A montagem feita durante o resgate do garoto é muito
triste, e impossível não mexer com nossa cabeça. Mesmo essa etapa da história
sendo concluída perfeitamente, muitos mistérios são mantidos para as
continuações futuras.
A segunda temporada já está
confirmada pelos irmãos Matt e Ross Duffer para 2017 e trará novamente todo o
elenco principal, junto de novos personagens que chegam em Hawkins (como Sean
Astin, o eterno Sam da trilogia bilionária O Senhor dos Anéis, também Paul
Reiser de Aliens – O Resgate e alguns outros nomes, como Sadie Sink e Dacre
Montgomery). Já sabemos algumas coisas que podem acontecer no próximo ano: a
nova temporada vai ter nove episódios e a trama pode se desenrolar em outras
cidades, o Mundo Invertido vai ser explorado, Will Byers ficará preso entre as
duas dimensões (como já visto no finalzinho da primeira temporada) e vamos
descobrir muito mais sobre Eleven, existindo até chance de a mesma ser o
próprio Demorgongon... Já pensaram nisso? E outra, se ela é a cobaia “número
onze” onde estão os outros dez?
Stranger Things é perfeita no que tem
de ser. Uma mistura majestosa de horror, ficção cientifica e a clássica “Sessão
da Tarde”, cheia de referências, personagens carismáticos, reviravoltas
mirabolantes e muitos mistérios; a série tem um potencial imenso para ser
explorado, e muitas perguntas para serem respondidas no próximo ano. Por
enquanto, só podemos criar teorias e ficar na expectativa. De uma coisa eu
sempre vou ter certeza: o tempo pode passar, mas os anos 80 e a cultura pop
presente naquela época vão reinar para sempre, independente dos avanços que
caminhamos... O que é bom não envelhece nunca.
"FRIENDS DON'T LIE"
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TRAILER DE 2016:
LISTA DE EPISÓDIOS (8):
Episódio 1: O Desaparecimento de Will Byers.
Episódio 2: A Esquisitona da Rua Maple.
Episódio 3: Caramba.
Episódio 4: O Corpo.
Episódio 5: A Pulga e o Acrobata.
Episódio 6: O Monstro.
Episódio 7: A Banheira.
Episódio 8: O Mundo Invertido.
CONTAGEM DE CORPOS (número não exato):
Assassino Demogorgon:
Cientista do laboratório: arrastado pelo teto (morte offscreen).
Barbara "Barb": levada até o Mundo Invertido e morta.
Filho de Brenner: entra no Mundo Invertido e é retalhado (morte offscreen).
Assassina Eleven:
Dois agentes do governo: pescoços quebrados durante fuga.
Paramédico #1: esmagado contra a parede.
Paramédico #2: pescoço quebrado.
Agentes do governo: provavelmente mortos quando o furgão capota.
Cinco agentes do governo: cérebros explodidos e hemorragia pelos olhos.
OUTRAS MORTES:
Benny: baleado na cabeça.
Dr. Martin Brenner: Pego pelo Demogorgon (morte ainda não confirmada).
Demogorgon: destruído pelos poderes de Eleven.
Eleven: desaparecida e presa no Mundo Invertido.